SO RODRIGUES – "CAVEIRINHA" – 13/12/1931 – 02/07/2019

 

Suboficial RODRIGUES (“Sargento Caveirinha”), nasceu em JAGUARETAMA, Ceará, a 13/12/1931 e faleceu em Guaratinguetá, São Paulo, a 02/07/2019 aos 87 anos de idade. 

Com muito pesar, li em nosso Grupo de Estudos sobre a História da EEAR e da FAB no WhatsApp a informação dando conta do falecimento, às 5h de 02/07/2019 de um dos mais famosos Colegas na Formação de muitas gerações de Homens. “Sargento Caveirinha”, já como Suboficial Reformado, aos 87 anos – Completaria 88 anos a 13/12 deste 2019...

 O SAUDOSO Ex- Aluno 63-526 - José RODRIGUES de Almeida - Turma 142 - 21/12/64 - Q IG FI  nasceu a 13 de Dezembro de 1931 na cidade de Jaguaretama – Ceará e, salvo equívoco, ingressou na FAB através do Exército Brasileiro cursando um ano final na Escola de Especialistas de Aeronáutica, como era praxe em seu tempo. Tive oportunidade de conversar brevemente com ele diante da Câmera a 28 de Junho de 2016 (vídeo abaixo) e o encontrei cordato, calmo, simpático e já em paz com o apelido que o incomodava, quando na ativa: CAVEIRINHA.

Tinha esse apelido por ser excepcionalmente hirsuto, forte, magro e extremamente rigoroso em todos os pontos: era necessário ser assim! De que outra forma ensinar a jovem paisano no final da adolescência, recém-chegado à Caserna, o que é SER MILITAR na mais ampla acepção do termo? Neste ponto, o Instrutor Infante é FUNDAMENTAL! Caveirinha foi um Formador de HOMENS e os formou aos milhares em seu período como Instrutor na EEAR. Tinha predileção pelas Olimpíadas do Corpo de Alunos – as OCA, quando podia demonstrar sua força, agilidade, destemor e engajar-se vivamente com as turmas sob sua tutela.

Conversei brevemente com a gentil Esposa do nosso Amado Instrutor, a Sra. Francisca Jacira Santos de Almeida na manhã do dia 03 de Julho de 2019. A encontrei naturalmente entristecida e ainda assim teve a gentileza de preencher algumas lacunas nas informações que temos (quando e onde ele nasceu, coisas assim). Apresentei minhas sinceras e profundas condolências, deixando claro perceber que milhares – sem exagero, MILHARES de Colegas – estão também enlutados, num dos diálogos mais cordiais, afáveis e breves que tive oportunidade de travar nos últimos anos.

          A Nota de Falecimento publicada pelo nosso Amigo Baracho e Administrador do Grupo no Facebook, pontua textualmente na tarde de 02/07/2019 com fotos comoventes:

“Informamos com pesar o Falecimento do Suboficial José Rodrigues Almeida, o famoso CAVEIRINHA, que formou milhares de sargentos durante os muitos anos em que serviu no Corpo de Alunos da EEAR, deixando marca de ética militar indelével em seus caracteres. Já estava internado há alguns dias. O velório transcorre agora no cemitério do Pedregulho onde será sepultado às 16 h [de 02/07/2019]. Que Deus o receba em Sua Glória e possa confortar os corações dos familiares e muitos amigos.

Aluno 72-340 - BARACHO - Turma 160 – Tarjeta AMARELA – Q AR”

 

Em poucas horas já há 300 visualizações com um ícone triste de pesar e 155 (cento e cinquenta e cinco) comentários apresentando sentimentos à Família – e Família Ampliada: somos todos da mesma Família Militar da Força Aérea Brasileira. Tive oportunidade de relatá-lo à viúva sensibilizadíssima com as Flores e até uma Placa que recebeu (não perguntei sequer de quem para não encompridar a conversa neste momento: ela evidentemente está muito triste...). Seguramente mais homenagens e recordações se seguirão ainda nesta semana, pois nos dias 05 e 06/07/2019 ocorre o Encontro Anual de Veteranos na EEAR e os Colegas, nos Grupos, já se mobilizam para tanto.

Logo após seu tempo na EEAR, foi transferido para Anápolis e lá promovido a Suboficial. Sua VIBRAÇÃO continuou firme! A tal ponto que há mesmo um Espaço Esportivo batizado em seu nome. No BINFA (Batalhão de Infantaria) há uma quadra com uma Placa em que se pode ler com destaque: PRAÇA DE ESPORTES SO RODRIGUES - Informação colhida com os Colegas da Turma 160, Tarjeta Amarela, aos quais agradecemos.

Apresento abaixo dois textos publicados há algum tempo; o primeiro, intitulado “Sargento Caveirinha”, foi escrito por um Colega de minha Turma e o segundo, intitulado “Camburando o Paradão”, pelo Eficientíssimo em tudo que faz, TenCel. BARACHO.

Triste e Respeitosamente,

Aluno 77-1183 - Lázaro CURVÊLO Chaves - Turma 171 - BRANCA - 13/07/79 - Q AT RA MR (Eletrônica)

 

Sargento Caveirinha

Capitão Escrevente e Ex-Aluno 77-1574 - Antônio VALENTIM Moreira - Turma 171 - Tarjeta BRANCA - 13/07/79 - Q EA ES

EM MINHA época de Escola de Especialistas, final da década de 1970, havia um primeiro-sargento cuja figura me ficou indelevelmente marcada na mente. Aliás, todos os alunos daquela época jamais esquecerão do sargento Rodrigues, o Caveirinha, apelido ganho graças à sua aparência incomum,  à fama de sargento mau e ao rigor em que agia como instrutor de Ordem Unida para todo o Corpo de Alunos, constituindo-se o terror daqueles alunos de primeira série. Feio (feio não: horrível, simplesmente), hoje seria comparado ao “Seu Madruga”, do seriado mexicano Chaves.

A maioria de nós, aquele meio milhar de jovens oriundos de todas as partes do Brasil, era egresso da vida civil, nada entendendo de militarismo. Não sabíamos discernir nada, e devíamos aprender tudo num curto período de dois ou três meses a fim de prestarmos o compromisso de juramento à Bandeira, uma obrigação regulamentar imposta a todo brasileiro que ingressa nas forças armadas brasileiras. Exceção era feita aos jovens que antes eram soldados ou cabos, que já vinham escolados, porém tinham que passar igualmente por todas as instruções, quer fossem teóricas (regulamentos) ou práticas (ordem unida, prática de tiro e manuseio de armamento).

Caveirinha, sujeito magro, cara chupada e espesso bigode, era o sargento mais afamado e mais temido entre a alunada. Pegava no pé especialmente daqueles que tinham dificuldade motora, e que, muitas vezes pelo nervosismo natural, não discerniam entre “direita volver” ou “esquerda volver”, nem acertavam o passo ao marchar, e muito menos tinham habilidade com o manuseio do armamento, que naquela época era o velho e pesado mosquetão usado na primeira guerra. Caveirinha não deixava passar qualquer deslize, e com isso a turma ficava mais nervosa e trêmula. Para nós, a impressão que ficava era que ele se comprazia com o nosso sofrimento.

A respeito de sua figura, as anedotas e situações folclóricas também eram recorrentes. Consta que certa noite, os grupos de alunos estavam no pátio do rancho para a ceia, que, pelo boato que corria sobre adicionarem algum remédio no chá para aliviar os hormônios, era também conhecida pelo singular nome de “brochante”. Em geral, os grupos formavam por turmas ou séries, da 4ª série, aqueles que estavam no último semestre do curso, à primeira série, os “bicharais”, como eram jocosamente chamados por todas as outras turmas. O aluno mais antigo de cada série se encarregava de por em forma a todos de sua turma e os apresentava ao sargento-de-dia, que estava lá para supervisionar a disciplina. Justamente naquela noite o sargento-de-dia era o Caveirinha.

Ocorreu de o mais antigo da primeira série presente ser o Orival, popularmente conhecido por “Catarina”, em parte pelo seu sotaque inconfundível de catarinense. Um aluno de quarta série orientou que o Catarina pusesse o grupo em forma, o que ele fez dando uma sequência de “sentido, cobrir, firme!”, e apresentasse a turma ao sargento Caveirinha.

Foi então ele:

– Com licença, sargento Caveirinha!

– Aluno Orival apresenta a primeira série pronta para o brochante.

O caveirinha, impassível, e olhando firme para a cara do bicharal, saiu-se assim:

“Aluno, em primeiro lugar o nome da refeição não é “brochante” e sim “ceia”. E em segundo lugar…

 

          …CAVEIRINHA É A P* q P*”.

 

No entanto, tudo ficou por isso mesmo. O sargento não levou adiante o fato – transgressão disciplinar -, sabendo que se tratava apenas de bisonhice do Catarina, que caiu na armadilha do quarta-série. Era um cara bom, um grande profissional que fazia bem o seu trabalho.

 

Jamais te esqueceremos, sargento Rodrigues.

Fonte Digital: BLOGUE do Valentim em 15ago2015

 

 

Camburando o Paradão

Tenente Coronel Especialista em Armamento e Ex- Aluno 72-340 – Sérgio Gonçalves BARACHO - Turma – 160 - 14/12/73 - Q AR

A vida militar me proporcionou várias experiências enriquecedoras, com muitas e belas recordações e outras nem tanto. Quando recordamos os tempos passados, quase sempre o que nos vem à mente são os fatos positivos em que nos damos bem, saímos bem na foto. Já as derrotas são deixadas esquecidas lá no fundo do baú das lembranças. 

Pois bem, vou narrar um episódio que protagonizei enquanto aluno de escola militar e do qual não tenho orgulho. 

Certa vez em 1972, quando aluno da EEAR, um grupo, eu e outros colegas da 1ª série, resolvemos “camburar” o Paradão. O Paradão era como denominávamos a parada diária, de comparecimento obrigatório para os alunos, que precedia o almoço e reunia todos os alunos para deslocamento em marcha para o rancho. Já “camburar” é um jargão da FAB que quer dizer superar, passar por cima e neste caso específico quer dizer faltar a um evento programado. A idéia era ficar escondido no alojamento e não descer para o pátio de reunião. Ora, esse grupo era muito inexperiente, pois vínhamos da vida civil e por isso éramos denominados “oriundos” (oriundos da vida civil), em contraposição aos que já eram militares, os escolados "cabos velhos", que por seu conhecimento prévio da vida militar, sabiam tirar vantagem da rotina da escola. 

Bom, executamos o planejado! 

Nos escondemos atrás dos armários e ficamos quietinhos. Após uns minutinhos, quem aparece no alojamento? O Sargento Rodrigues, o Caveirinha! Bem, ele era conhecido assim por impor terror aos alunos na ocasião, por sua conduta rígida na observação da disciplina e intolerância com quem prevaricava com os seus deveres.

 Ele chegou, parou no meio do alojamento e falou, com aquela voz rouca que muito nos amedrontava: 

- Sei que tem uns engraçadinhos escondidos no alojamento! Estou avisando que se não se apresentarem agora e  eu tiver que pegar um por um, não sei o que vai acontecer com vocês, hein! 

Ora, aquilo foi como dissesse que iria atirar para matar nos "espertinhos", garotos que não passávamos de 17 anos na época! Então todos nós saímos dos esconderijos com as mãos pra cima, como nos filmes de "cowboy". Resultado; na audiência com o comandante da companhia, o Tenente de Infantaria Uderci (com quem posteriormente servi como oficial na própria EEAR), não tínhamos qualquer justificativa e estávamos preparados para o pior (xadrez!). 

Por sorte nossa, o tenente que era (e ainda é!) um cara muito legal, viu a nossa ingenuidade ao planejarmos o “grande golpe” e nos puniu com um sermão “daqueles”. Além disso, acrescentou um pernoite no final de semana sem podermos sair do quartel, o que ansiávamos durante toda a semana, já que o regime era de internato. Enfim, uma pena levíssima, que não foi nem para registro nas nossas alterações militares. 

Essa foi a minha única punição na longa vida militar! 

Lição aprendida. Minha carreira de "crimes" foi encerrada prematuramente.

 Ainda bem!

Fonte Digital: http://blogdobaracho.blogspot.com/2010/06/camburando-o-paradao.html

 

 
 

Autor da Gravura acima:

Suboficial Desenhista e Ex-Aluno 76-755 Nalson Francisco ANAIA - Turma 169 - Tarjeta AZUL - 14/07/1978 - Q AT DI

Contato: nelsonanaia58@gmail.com

 

Canal no Youtube:

https://www.youtube.com/c/lazarocurvelo