TRAJETÓRIA ESPECIALISTA – Berilo LUCENA de Cavalcanti (Notas de Leitura)

TRAJETÓRIA ESPECIALISTA - ENSAIO SOBRE A ESCOLA DE ESPECIALISTAS DE AERONÁUTICA (Clique para baixar o livro em PDF)

Berilo LUCENA de Cavalcanti

Notas de Leitura

            NOTA: Não ouso aqui levar a termo uma resenha, na acepção clássica do termo, da Obra analisada. Meramente esboço uma narrativa acerca de como dela (e de seu Autor) me aproximei e do quanto aprendi acerca da História da EEAR e mesmo da Força Aérea Brasileira. São notas de leitura...

* * *

Introdução e Histórico de nosso Grupo e de nossa Página

            Corria o ano de 2015 quando um colega de minha Turma encontrou-me pela Internet e convidou-me ao Encontro Anual de Veteranos, que ocorre na EEAR toda Primeira Sexta-Feira do mês de Julho, desde 2002. Aderi com alegria e entusiasmo ao reencontrar colegas da mais tenra juventude em um Grupo no Facebook. Percebia que havia colegas de outras turmas e familiares de colegas no Grupo, dificultando um pouco descobrir “quem é quem” e penso haver colaborado um bocadinho para a Organização e União de nossa Turma (a 171ª) por ocasião do Encontrão/2016. Com o tempo, travei contato com alguns colegas de alto valor, também esforçados em unir nossos pares em suas Turmas; dentre os quais ressalto apenas alguns dos se destacam e que seguimos unidos até esta data; da Ponta do Galeão: Paulo Leal (Turma 3), Benonil (Turma (17) e Primo (Turma 22 – Graduado na Turma 102 da EEAR); da E.T.Av. Durval (Turma 41), Zózimo (Turma 61), Milton Campos (Turma 83) e Germano (Turma 95); da EEAR em Guaratinguetá: Elói (Turma 123), Maia Guedes (Turma 124), Cleophas (Turma 124), Heredia (Turma 127), Sobrinho (Turma 127), Seixas (Turma 129), Manuel Florêncio, Amilton, Dimitrie e Borin (TURMA DOS 500), Vicensotti (Turma 132), Criscuolo (Turma 135), José Nogueira Sobrinho (Turma 135), Julio Cavalcanti (Turma 138), Carlos Stocco (Turma 140), Jucewicz (Turma 140), Sergio Cardoso (Turma 143), Tomioka (Turma 143), Dentino (Turma 144), Cunha Charles (Turma 144), Deusdedith Feitosa (Turma 145), Celso Molinari (Turma 145), Renaldo Macedo (Turma 146), Sanches (Turma 147), Weber (Turma 147), Leite (Turma 147), Gilson Neves (Turma 148), Celente (Turma 148), Mortoni (Turma 148), Arruda (Turma 148), Amiratti (Turma 150), Leal (Turma 154), Carvalinho (Turma 154), Fontoura (Turma 154), Adair Denardim (Turma 155), Antônio Moraes (Turma 155), Marcos Chaves (Turma 157) Jorge Tosta (Turma 159), Sergio Baracho (Turma 160), Paulo Santiago (Turma 162, Rodrigo Cano (Turma 162), Maurício Matulevícius (Turma 163), Paulo Sérgio (Turma 165), Ageu Feitosa (Turma 166), Abner Muniz (Turma 169), Kimieski (Turma 170), Mário Luiz (Turma 171), Emídio Vargas (Turma 171), Erasmo (Turma 171), Eliézer Nogueira (Turma 173), Cinello (Turma 175), Philot (Turma 175), Monteiro (Turma 197), Nelson Palange, Paulo Bovo, entre tantos outros que, com entusiasmo estão conosco até o presente.

            Marcos Chaves (Turma 157) se comunicava comigo pelo Facebook e pelo Reservaer nas madrugadas, apontando-me coisas a apreciar, a prestar maior atenção. A certo momento, digitalizou e levou ao ar o apêndice da Obra do Coronel Lucena onde estão listadas todas as Turmas de Especialistas por data da Formatura até ano de 1992 – PRECIOSIDADE. A partir dali concluímos ser vital criarmos um grupo rigorosamente bem organizado, com regras claras, para unir o Especialista de todos os tempos de maneira ordenada, organizada; não apenas, mas também para irmos gradualmente organizando melhor a Apresentação de todos nós na Solenidade Militar do Encontrão. Os resultados têm sido excepcionais e a cada momento mais colegas se agregam, trazem-nos suas revistas e convites de formatura, fotos de época, relatos interessantíssimos, etc. Como o Grupo no Facebook vai “sepultando” mensagens anteriores, concluímos ser vital coletar todo o material e montarmos uma Página na Internet onde fique mais simples encontrar todo o material compartilhado pelos Colegas. Ao material assim coletado, mais agregamos em viagens e se avoluma dia a dia. A ideia do Museu do Especialista nasceu naturalmente e com tal força que somente o tempo nos separa de sua efetiva materialização.

 

TRAJETÓRIA ESPECIALISTA – NOTAS DE LEITURA

Já na Dedicatória o Autor pontua a importância de todos aqueles que, com seu trabalho, contribuíram e contribuem para a grandeza da EEAR e o faz em particular a cada Aluno da Escola de Especialistas, de todas as épocas e cursos.

            A Obra vem Prefaciada pelo Tenente-Brigadeiro do Ar ULYSSES PINTO CORRÊA NETO, que fora Comandante da EEAR entre 19 de Abril de 1985 a 12 de Fevereiro de 1988, em muito incentivando o magnífico trabalho que ora analisamos.

            Cuidadosamente, Coronel Lucena agradece a todos aqueles que com ele colaboraram na realização de uma Obra desde o início destinada a se tornar um Clássico em nosso meio, dada a criteriosa meticulosidade de seu trabalho.

 

SANTOS DUMONT

            Um trabalho sobre o Especialista em Aeronaves e seu apoio em Terra não poderia prescindir de um relato acerca do Pai da Aviação, de como ele, às 16h45min do 23 de Outubro de 1906, pilotando o 14-Bis, no Campo de Bagatelle, decolou por meios próprios, voou suavemente e pousou em segurança.

            O esforço supremo de Alberto Santos=Dumont e sua tenacidade levaram-no a vencer inquestionavelmente a corrida para o voo do mais pesado que o ar. Como citado na Obra que leio, segundo o Brigadeiro Lavenère-Wanderley: “Santos Dumont continua tomando parte nas atividades da Aeronáutica Brasileira como seu inspirador e seu patrono; em cada avião que parte vai um pouco da sua alma, em cada motor que ronca, ressoa um pouco do seu coração”.

 

Da delimitação

            O Ensaio em exame neste momento circunscreve-se ao que foi criteriosamente levantado pelo Autor até o ano de 1992.

 

Escola de Aviação Naval e Escola de Aviação Militar

            A 23 de Agosto de 1916, a Marinha cria o Primeiro Estabelecimento Militar de Ensino Aeronáutico na Ilha das Enxadas, Rio de Janeiro, adquirindo três hidroaviões Curtiss (Matrículas C1, C2 e C3) dos EUA, bem como peças de reposição, tudo acompanhado pelo Mecânico Piloto Ortho Hoover a fim de realizar a montagem e treinar para a experiência com o aparelho. O Exército, que ainda não contava com uma Escola de Aviação própria, obteve permissão para que militares cursassem a Escola de Aviação naval. A 1918 a Escola recebe mais dez aviões Curtiss e uma missão militar americana destinada a prestar instrução aérea.

            Em 1919 foram criados os cursos de Mecânico Naval de Aviação e Marinheiro Especialista em Aviação. No mesmo ano, a 10 de Julho, no Campo dos Afonsos, o Exército criou a Escola de Aviação Militar destinada a administrar instruções de piloto a oficiais e sargentos, sob orientação de uma Missão Militar francesa, utilizando aeronaves francesas.

            Logo após a criação da Diretoria de Aeronáutica do Ministério da Marinha em 1923, a Escola de Aviação Naval transfere sua sede para a Ponta do Galeão, na Ilha do Governador, em 1924.

 

Ministério da Aeronáutica

            Criado pelo Decreto nº 2961, de 20 de Janeiro de 1941 culminava a demanda de anos na direção da Unificação do Poder Aéreo Nacional, a exemplo, inclusive, do que já acontecia na Inglaterra, na França e na Itália. Pelo Decreto, passavam a pertencer ao novo Ministério da Aeronáutica, sob a liderança do Dr. Joaquim Pedro Salgado Filho, todas as instalações, equipamentos, pessoal, órgãos e serviços de Aviação outrora aos cuidados do Ministério da Guerra, do Ministério da Marinha e do Ministério da Viação e Obras Públicas.

            O Decreto lei 3142, de 25 de março de 1941 criou, no Ministério da Aeronáutica a Escola de Especialistas de Aeronáutica, que passou a funcionar onde ficava a Escola de Aviação Naval, ou seja, na Ponta do Galeão.

            O Autor descreve em detalhes como se deu a transição gradual, absorvendo o pessoal, instalações e equipamentos dos três Ministérios citados no novo Ministério da Aeronáutica. Não foi algo imediato ou açodado, naturalmente, e foram necessários muitos ajustes e adaptações até que tudo funcionasse a contento. Descreve em detalhes como se deu de maneira escrupulosa a organização dos Departamentos de Ensino, Pessoal, Intendência e Material, culminando na marcação do 05 de Maio de 1941 para o início do ano letivo.

            A formação de pilotos militares passou a ser da competência exclusiva da Escola de Aeronáutica, sediada no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro.

            Lendo acerca do critério para a Admissão à Escola de Especialistas de Aeronáutica e a descrição detalhada dos cursos ministrados ao longo de toda a formação, assim como das Especialidades descritas, concordamos com o que nos dizem os veteranos mais antigos, graduados na EEAer na Ponta do Galeão: o rigor nos estudos era absoluto e a formação absolutamente primorosa.

 

EEAer Quartel na Ponta do Galeão

 

Formação de Oficiais Mecânicos

            Um dado pouco conhecido diz respeito ao fato de a EEAer na Ponta do Galeão haver formado mais de uma centena de Oficiais Mecânicos (hoje diríamos Especialistas), basicamente Mecânicos de Avião, Mecânicos de Armamento, Mecânicos de Rádio e Fotógrafos, com listagem nominal daqueles Pioneiros, diríamos, Especialistas. A 13 de Abril de 1950 ocorreu a formatura de 22 Oficiais e Sargentos na EEAer na Ponta do Galeão e o Curso de Oficiais Mecânicos foi transferido para Bacacheri, Curitiba, onde nasceria a Escola de Oficiais Especialistas e de Infantaria de Guarda (EOEIG).

 

Força Aérea Brasileira

            Pelo Decreto Lei 3320 de 22 de Maio de 1941 as Forças Aéreas Nacionais passaram a se denominar Força Aérea Brasileira, com a absorção de todos os órgãos, pessoal e material outrora alocado ao Ministério da Guerra, ao Ministério da Marinha e ao Ministério da Viação e Obras Públicas.

 

Guerra

            A 31 de Agosto de 1942 foi declarado o Estado de Guerra em todo o território nacional. O Esforço Internacional de Guerra contra o Nazi-Fascismo exigiria ainda mais do recém-criado Ministério da Aeronáutica, que cumpriu com zelo sua missão, jamais desapontando, mesmo em face de muitos obstáculos.

 

Afundamento de Navio Alemão

            A 8 de Setembro de 1943 o Aviso Ministerial nº 108, de 08 de Setembro de 1943 louva nominalmente a atuação da tripulação das Aeronaves Hudson A-28 e Catalina PBY-14, encarregadas do patrulhamento das águas territoriais brasileiras e que, mesmo sob fogo cerrado das baterias antiaéreas inimigas, levou a termo, com louvor, a sua missão. Apenas um trecho: “Os oficiais que equipavam os referidos aviões demonstraram, a par de um elevado espírito militar, qualidade de pronta decisão, coragem e patriotismo, que foram secundadas pelos demais membros da tripulação, concorrendo assim, com esse brilhante feito, para mais uma vitória da Força Aérea Brasileira na guerra em que estamos empenhados, em defesa do Brasil, do continente Americano e da Civilização.”

 

Escola Técnica de Aviação

 

            Dentro do Esforço Internacional de Guerra, a Força Aérea Brasileira recebeu aeronaves mais modernas, demandando formação técnica ainda mais especializada. No início, o Ministério da Aeronáutica enviava seus profissionais ao aperfeiçoamento no Estados Unidos, o que se demonstrou oneroso. O Ministro da Aeronáutica, em visita aos EUA, conheceu o sistema de ensino da Escola de Aviação Embry Riddle, considerou muito bom e tomou a decisão de contratar os serviços profissionais daquela Entidade a fim de acelerar, de maneira criteriosa e rigorosa, a formação do Especialista da Força Aérea Brasileira. Assinado um acordo prévio a 29 de Setembro de 1943, no dia 10 de Novembro de 1943 formalizou-se aquele contrato com a assinatura do Decreto Lei número 5983, dando origem à E.T.Av. – Escola Técnica de Aviação. Segundo a Portaria de número 218, de 30 de Novembro de 1943, a E.T.Av. foi criada “para intensificar a formação de Especialistas para a Reserva da Aeronáutica”. Contudo, a situação especial em que o país se encontrava, todos os diplomados naquela Escola ingressavam imediatamente no Serviço Ativo da FAB.

            A E.T.Av. foi instalada à Rua Visconde de Parnaíba, 1316, no Bairro do Brás, SP [[endereço até hoje na memória dos veteranos ali graduados: era o endereço dado aos familiares e entes queridos...]] onde antes funcionava o Departamento de Imigração e Colonização da Secretaria de Agricultura. Pelos termos do contrato com a FAB, a E.T.Av. deveria formar 500 técnicos por ano e, após o encerramento de suas atividades, todo o acervo passaria para a FAB.

            Já em pleno funcionamento, a E.T.Av. foi oficialmente inaugurada, com a presença do Presidente Getúlio Vargas, a 02 de Maio de 1944. O Ministro Salgado Filho ressaltou, em seu discurso que tal se devia à singularidade do momento histórico vivido e da agilidade necessária ao Esforço Internacional de Guerra: nossas tropas já estavam mobilizadas e o suporte de terra (função primacial da E.T.Av.) era imprescindível. Louvou ainda em seu discurso, Exmo. Sr. Ministro Salgado Filho, a superioridade técnica dos instrutores que para cá vieram, bem mais traquejados nos novos equipamentos que acabavam de ser agregados à Força e acrescentou que os próprios técnicos americanos se espantavam com o esmero, o denodo e a capacidade cognitiva dos profissionais brasileiros.

 

Estrutura da E.T.Av. – Setor Brasileiro e Setor Norte-Americano

            Dentro da Estrutura criada na E.T.Av., havia um Oficial Superior representando o Ministério da Aeronáutica junto à E.T.Av. e Comandante do Corpo de Alunos, incumbido de fiscalizar a disciplina na Escola e coordenar a Instrução Militar. O setor militar da Escola era composto por pessoal exclusivamente brasileiro. A Instrução Militar era ministrada por Oficiais e Sargentos de Infantaria oriundos do Exército Brasileiro e convocados para o serviço ativo na FAB.

            Num primeiro momento o setor Norte-Americano era presidido pessoalmente pelo Sr. John Paul Riddle. A ele subordinado estava o Diretor da Escola. O Diretor contava com dois assistentes: um deles Encarregado da Instrução e o outro Encarregado da Administração. Cada Departamento de Ensino tinha um Instrutor-Chefe, a quem se subordinavam diversos Instrutores “Sênior” e demais Instrutores, quantos se fizessem necessários a levar a termo a tarefa de Instrução.

 

Recrutamento

            A Escola Técnica de Aviação publicava o Semanário “Papel Pega-Mosca” que chegou a uma tiragem de 5.000 exemplares, distribuídos aos mais diversos rincões do país num tempo em que as Prefeituras Municipais, os Aeroclubes, os Tiros de Guerra e as Escolas Profissionalizantes e, aquele Semanário Bilíngue, além do congraçamento que propiciava entre os Alunos, constituía parte intrínseca da Máquina de Propaganda a conclamar brasileiros entre 17 e 34 anos a prestar concurso para estudar na E.T.Av.. Para admissão, além de exames de Conhecimentos Gerais, havia os exames físicos, para comprovar que o postulante levaria adiante seus estudos com o condicionamento necessário. O rigor nos estudos e a seriedade absoluta na Instrução – além de uma metodologia baseada no sistema Ford de “Linha de Montagem” – eram tão elevados que, ao verificarmos os Boletins de Formatura, percebemos que a “nota de corte” era de 8,0 (ou seja, menos de 80% de aproveitamento redundava em desligamento). Treinamento teórico e prático com elevada precisão em toda a sua extensão.

            O nível básico de instrução era composto por uma pletora de matérias ministradas ao longo de 10 semanas e voltava-se a solidificar as bases do Aluno para a Instrução Técnica Especializada que se seguiria. Havia pequenos exames ao longo de toda a Instrução e, a seu término, o Aluno era submetido a um exame final em sua Especialidade. Uma vez aprovado neste último exame, era mais uma vez entrevistado pelo Supervisor de Alunos, de quem recebia os derradeiros conselhos e seria classificado numa Unidade da FAB para onde iria já promovido a Terceiro Sargento após a Formatura.

 

General Mark M. Clark visita a E.T.Av.

            Em sua visita ao Brasil, após passar pelo Rio de Janeiro e Belo-Horizonte, o Comandante do V Exército Aliado (ao qual estava integrada a Força Expedicionária Brasileira) chega à E.T.Av. a 21 de Julho de 1945, para a Formatura da 23ª Turma da Instituição. Elogiou entusiasticamente a bravura demonstrada pelos brasileiros, assim como a simpatia de todos quantos o receberam por onde passou, levando ainda uma palavra de estímulo a quantos trilhariam caminhos similares.

 

Modificações na E.T.Av.

            Pouco mais de um ano após o final da II Guerra, a Portaria 144, de 09 de Abril de 1946 definia a Escola como um “Centro de Instrução de Especialistas e Artífices da Reserva da Aeronáutica” mas também como um “Estabelecimento de Ensino Técnico-Profissional destinado á formação de Artífices Almoxarifes e Radiotelegrafistas para os Quadros da Ativa do Pessoal Subalterno da Aeronáutica”.

            Em 1949, ao aproximar-se o final do Contrato da Embry Riddle com a FAB, foram-se fazendo ajustes visando a substituição eficaz dos Instrutores Norte-Americanos por Brasileiros.

 

Necessidade de Mudanças

            Por um lado, era oneroso à FAB manter duas Escolas Técnicas em locais distintos (a EEAer na Ponta do Galeão e a E.T.Av. na Mooca), por outro, a própria E.T.Av., com a ampliação do Efetivo, precisava alugar imóveis nas adjacências a tal ponto que, já em 1945 havia 30 imóveis alugados pela Instituição a fim de atender às necessidades da Instrução e da Administração. Até as instalações do Jóquei Clube da Mooca eram utilizadas pela E.T.Av. Em 1947 chegou-se a cogitar uma mudança da E.T.Av. para Campinas (SP), também para Natal (RN)...

            Num primeiro momento o Ministro Trompowsky pendia para a solução da mudança para Natal e chegou mesmo a manifestar-se a respeito. Paralelamente a isso, a fusão da EEAer da Ponta do Galeão com a E.T.Av. apresentava-se como imprescindível. Além do dispêndio maior com duas Escolas Técnicas em locais distantes, o Galeão começava a despontar como ponto importante à implantação de um Aeroporto (que hoje inclusive é Internacional).

 

Broca Filho apresenta uma solução

            Em 1949, participando de um Encontro na Bacia do Prata a convite de seu amigo e governador de São Paulo, Adhemar de Barros, André Broca Filho, então prefeito de Guaratinguetá, casualmente entreouviu parte de um diálogo entre o Prefeito de Natal e um Senador do Rio Grande do Norte: a FAB estudava transferir a E.T.Av. para Natal...

            Em Guaratinguetá havia a Escola Prática de Agricultura, um Estabelecimento de Ensino Básico, Fundamental, do Estado, mantido no município. Contava com boa infraestrutura inicial e grande terreno, contudo era então um dreno nos recursos estaduais e municipais. Segundo levantamentos recentes, naquela época contava com um quadro docente maior que o discente (havia um número maior de professores que o de alunos: se transformara num “cabide de emprego”...).

Para Aprofundamento

"Síntese da Biografia de André Broca Filho"

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Pesquisa elaborada pelo Tenente Coronel Especialista em Armamento e Ex-Aluno 72-340 - Sergio Gonçalves Baracho - Turma – 160 - 14/12/73 - Q AR 

            Após negociações com o Governador e seu Amigo Adhemar de Barros e o Diretor de Ensino da FAB, Brigadeiro Antônio Guedes Muniz, foi conduzido ao gabinete do Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Trompowsky, que acolheu de pronto a proposta: solução ideal! Guaratinguetá fica a meia distância entre os dois maiores centros urbanos do Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro), trazendo vantagens notórias à alternativa de uma transferência para Natal que, por algum motivo, seguiu constando de alguns despachos oficiais por algum tempo sem jamais ser concretizada. O Decreto 27.879, de 13 de Março de 1950, por exemplo, previa a transferência de parte da E.T.Av. e da EEAer para Natal, o que não aconteceria na prática.

            O efetivo da Escola de Especialistas de Aeronáutica da Ponta do Galeão foi transferido para a E.T.Av., em São Paulo, nos dias 5, 6 e 7 de abril de 1950, mantendo no Rio de Janeiro apenas um Destacamento Recuado para concluir assuntos administrativos e efetivar a entrega da Edificação.

            A E.T.Av., por ocasião da Fusão entre as duas Escolas levou a termo um conjunto de atividades voltada à confraternização entre os componentes de ambos os estabelecimentos de ensino: Formatura Geral, Torneio Desportivo, Baile na SAETA (Sociedade dos Alunos da E.T.Av.) em homenagem aos Alunos da EEAer...

            Era o primeiro passo para a Transferência para Guaratinguetá, onde as Obras para adequação das Instalações já começara. Uma mudança deste porte, sem interrupção em qualquer período letivo, demanda uma série de providências que foram escrupulosamente arroladas e levadas a cabo entre 1950 e 1951.

[[Veteranos graduados nas últimas Turmas da EEAer na Ponta do Galeão que foram transferidos para a E.T.Av. e, de lá, se transferiram para Guaratinguetá, onde muitos se formaram e já na Reserva lá residem até este dia, reportam que o traslado de Equipamento e Mobiliário de São Paulo a Guaratinguetá levaria até o final do ano de 1953 para ser concluído; naquele ano a E.T.Av. encerrou definitivamente suas atividades, entregando todas as instalações e benfeitorias para o Estado de São Paulo que, em troca, cedeu a antiga “Escola Prática de Agricultura” para a União, com a finalidade de ali ser instalado O Maior Complexo Educacional Técnico-Militar da América Latina]]

 

EEAR em Guaratinguetá

Vista Aérea da EEAR em Guaratinguetá

Vista Aérea da EEAR em Guaratinguetá

            Foi um processo gradual, previsto para durar dois anos (1950 – 1951) com diversas Turmas iniciando os estudos em São Paulo (já sob a nomenclatura “Escola de Especialistas de Aeronáutica”) e os concluindo em Guaratinguetá.

            [[Levantamos que as Turmas de número 21, 22, 23 e 24, que iniciaram o curso na EEAer na Ponta do Galeão, os concluíram em São Paulo, nas dependências da antiga E.T.Av.; outrossim, levantamos que algumas Turmas que começaram seus cursos em São Paulo, nas dependências da antiga E.T.Av., os concluíram na EEAR em Guaratinguetá. Há informes a respeito da “Primeira Turma Originária” – que teria começado e concluído o Curso de Formação de Sargentos em Guaratinguetá – e teria recebido o número 122. Após muitos diálogos com Veteranos daquele período nos parece – a conferir com os Registros e mais Relatos de Veteranos daquele momento de mudança – que as Turmas 108 a 121 iniciaram seus Estudos nas dependências da antiga E.T.Av., já com o nome de Escola de Especialistas de Aeronáutica, e os concluíram em Guaratinguetá]]

Turma Ten Lima Mendes - EPCAR

 (Essa Placa se encontra no Prédio da Divisão de Ensino da EEAR, onde os Alunos da EPCAR ficaram hospedados em 1950 enquanto as instalações de Barbacena ficavam prontas)

            Em 1949 o a Primeira Turma do recém-criado Curso Preparatório de Cadetes do Ar iniciou seus Estudos nas dependências da antiga E.T.Av.. Com o nome até hoje empregado “Escola Preparatória de Cadetes do Ar”; portanto, a Primeira Turma da EPCAR (com esse nome) iniciou os Estudos em Guaratinguetá, enquanto as instalações definitivas daquela Escola em Barbacena eram concluídas.

 

Estrutura e Ensino

            A Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) está diretamente subordinada ao Diretor-Geral do Departamento de Ensino da Aeronáutica e tem por missão a formação e o aperfeiçoamento de Sargentos da Aeronáutica.

Está assim estruturada:

Comando

Divisão de Ensino

Divisão de Apoio

Corpo de Alunos

            A Divisão de Ensino tem por atribuição o trato dos assuntos pertinentes ao ensino técnico-especializado, bem como estudos visando seu contínuo aprimoramento. É constituída pela Chefia e pelas Subdivisões de: Planejamento, Instrução Técnico-Especializada, Avaliação e Aperfeiçoamento.

            O Corpo de Alunos é constituído de Esquadrões e tem por atribuições o trato dos assuntos pertinentes ao Corpo Discente, o planejamento e a execução da instrução militar (inclusive física), e ainda o controle da formação militar, moral e cívica dos Alunos.

            O regime dos Alunos é de internato, com folgas aos finais de semana.

            As formaturas são realizadas duas vezes por ano, nos meses de julho e dezembro.

            O Curso de Formação de Sargentos vinha se dando em quatro anos, durante os quais eram ministradas as matérias constantes do Plano Geral de Ensino.

            O ano letivo sempre se inicia com um ato formal, no qual o Comandante da Escola transmite sua orientação sobre o Ensino.

 

Lázaro Curvêlo Chaves – 2º Sargento Especialista em Eletrônica, Aluno 77-1183 Turma 171 - BRANCA - 13/07/79 - Q AT RA MR

                                     

EMBLEMA DA EEAR – Descrição Heráldica (*)

 

Escudo Português, com o Chefe em blau (azul ultramar) e a sigla da Organização, “EEAR”, em prata (branco). Campo em prata, tendo no Coração uma águia monocéfala, em jalne (amarelo), estendida (de asas abertas, com o perfil à destra), ao natural (pousada) e armada (com garras de esmalte diferente, em prata), representando o símbolo tradicional da aviação, sendo que as asas que ladeiam o Escudo, procuram, de forma estilizada, representar as divisas de Sargento, militar formado pelo Estabelecimento. Sobrepondo-se à mesma, um Escudete terçado em faixas, com o Chefe em blau (azul cerúleo) e o Gládio Alado em prata (branco). O segundo terço aparece em prata (branco), onde se centraliza uma engrenagem com uma estrela inscrita representando a Escola de Mecânicos, em vermelho (goles), blau (azul ultramar) e prata (branco). O último terço se divide em três faixetas, estando a primeira em blau (azul ultramar), onde se sobrepõem três garças voantes em prata (branco), em direção à destra. A segunda e terceira faixetas aparecem em prata (branco) e goles (vermelho), reproduzindo a bandeira de Guaratinguetá, cidade-sede da Escola.

     Em contrachefe, onde pousa a águia, encontra-se um pergaminho em blau (azul ultramar), com a divisa em prata: “AD ASTRA ET ULTRA” (AOS ASTROS E ALÉM), simbolizando que o seu voo não termina nos astros, indo além, isto é, que não para, procurando sempre a busca da perfeição.

     Contorna o escudo um filete em prata (branco), caracterizando o nível de comando da Organização: Oficial-General.

(*) Fonte Digital: http://www2.fab.mil.br/incaer/index.php/heraldica-siscult/emblemas2/253-eear

 

 
     

Links de Interesse:

Turmas em Dados: Data de Formatura, Quantidade de Formandos e Primeiro Colocado

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Galeria de Honra aos Nosos Antigões com mais de cinquenta anos de graduados - Atualização: 07 /2018

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Galerias de Fotos e Algumas Relações de Formandos

I Viagem de Trabalho e Estudos - Maço de 2016

II Viagem de Entrevistas e Estudos - Abril de 2016

III Viagem de Trabalho e Estudos - 08 a 18 de Agosto de 2016 - Relatório

IV Viagem de Trabalho e Estudos - Setembro de 2016

Entrevistas com nossos Antigões e Colegas mais Famosos que nos concederam um momento

GALERIA DE COMANDANTES DA EEAR, DE 1941 AO DIA DE HOJE

Turmas em Dados: Quantidade de Formandos, Data de Formatura e Primeiro Colocado

Documentos e Teses Para Pesquisa Acadêmica

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